quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Manual Prático de Levitação - José Eduardo Agualusa


O título deste livro não poderia ser mais feliz. São vinte contos que levam o leitor a levitar no mundo mágico de José Eduardo Agualusa, onde ficção e realidade podem se confundir ou não. Histórias que o autor separa em três partes: Angola, Brasil e Outros Lugares de Errância.

Com a perspicácia e a sutileza que caracterizam a obra do escritor angolano, os contos descrevem situações inusitadas ou absurdas. A matéria-prima é tanto a guerra em Angola, as influências portuguesas e africanas no Brasil como a paixão por livros e escritores.

A coletânea, escolhida pelo próprio Agualusa para o Brasil, reúne contos originalmente publicados em diversas revistas e jornais portugueses e angolanos, além de incluir três inéditos em livro. É uma novidade e um presente para o público leitor brasileiro que o prestigiou e o surpreendeu na última Festa Literária Internacional de Paraty ( FLIP). Ele foi o autor mais vendido do evento.

No Brasil, o elogiado representante da chamada nova literatura africana lusófona publicou cinco romances, todos pela Gryphus Editora: Nação Crioula (1998), Estação das Chuvas (2000), Um Estranho em Goa (2001), O Ano em que Zumbi tomou o Rio (2002) e O Vendedor de Passados (2004). 

Manual Prático de Levitação é o primeiro livro de contos do autor publicado no Brasil.


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Neste livro você encontrará incríveis contos que o fará levitar no mundo mágico do "José Eduardo Agualusa, onde ele faz com que a ficção e a realidade se misturam. São histórias que o autor separa em três partes: Angola, Brasil e Outros Lugares de Errância. Os contos descrevem situações inusitadas ou absurdas que o escritor teve toda o cuidado e sutileza para elabora-los, reunindo uma coletânea escolhida pelo próprio autor para o Brasil originalmente publicados em diversas revistas e jornais portugueses e angolanos além de incluir três contos inéditos. Este livro é uma novidade e um presente para você leitor brasileiro conhecer um pouco sobre suas idéias sobre a questão negra e o papel que o Brasil ocupa em relação ás antigas colônias portuguesas. Um grande escritor angolano de literatura africana que causou alvoroço na última Festa Literária Internacional que visita o Brasil para lançar esta maravilhosa coletânea de contos. Este é o primeiro livro de contos que o autor publica no Brasil.

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Este livro apresenta contos do escritor José Eduardo Agualusa, onde a ficção e a realidade se misturam. As histórias estão divididas em três partes - Angola, Brasil e outros lugares de errância. A coletânea traz contos selecionados pelo próprio escritor, publicados em diversas revistas e jornais portugueses e angolanos, além de incluir três contos inéditos.

****Albinos, osgas no mundo encantado de Agualusa
Hoje terminei de ler o delicioso livro Manual Prático de Levitação do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Este é o segundo livro de sua autoria que leio. Fiquei muito satisfeita em perceber que todo o encanto de linguagem e de temática que haviam me conquistado da primeira vez nas páginas de O vendedor de passados, permaneceu, vingou e cresceu, para minha total gratificação. Gosto de sua prosa, de seu humor, de sua imaginação e da delicadeza com que consegue abordar temas especialmente difíceis entre eles a guerra e suas infinitas e variadas conseqüências.

Diferente do anterior, este é um livro de contos, alguns pequeninos, tamanho bolso, mas que dão conta do recado com grande encanto. Estes contos nos oferecem uma breve viagem por Angola, Brasil e Outros Lugares de Errância. Esta é uma edição para o Brasil, uma coletânea de contos outrora publicados em Portugal e Angola. A eles só foram adicionados três contos inéditos: Os cachorros, O ciclista e Manual Prático de Levitação que dá o nome ao livro. A capa nesta edição da editora Gryphus já é sedutora o suficiente para mim. Trata-se de uma livre adaptação de um quadro do pintor belga René Magritte, cujos trabalhos fizeram parte não só do meu mestrado como do meu curso de doutoramento em história da arte. Nesta criação de Tite Zobaran e Mariane Esberard sobre o quadro Le chef d’oeuvre , duas silhuetas do homem com o chapéu coco se desdobram como se olhassem cada qual para um continente, mas são tão etéreas quanto o céu azul, levemente nublado que as preenche. Os autores foram muito felizes neste arranjo porque não só traz à tona a dualidade dos contos através de Angola e do Brasil como também o espírito onírico de grande parte da prosa Agualusa.
Este é um livro leve, de contos, retratos falados, quase-crônicas que devem ser lidas e apreciadas por todo tipo de leitor. São meras 150 páginas de encantamento. Vale a leitura!  Ladyce

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Aguinaldo08/02/2011

manual prático de levitação
Neste "Manual prático de levitação" José Eduardo Agualusa conta três tipos de histórias curtas: as escritas em Angola, as escritas no Brasil e as escritas em viagem, em errâncias como ele diz, sem lugares definidos. Quase todos já haviam sido publicados em jornais e revistas de Portugal e Angola, mais eram inéditos neste lado do Atlântico. As histórias são mesmo crias de seu senhor, um angolano neto de carioca, que viaja muito e conhece bem o Brasil, onde inclusive fundou uma editora, a língua geral. Os vinte contos assim reunidos são simples, lê-se sem se preocupar muito com tramas paralelas, psicologismos, ilações vagas. Aqueles escritos em Angola falam de alguma forma de violência, principalmente durante a guerra de independência e são mesmo ferozes; os brasileiros já são mais experimentais, brincam com a língua, rendem homenagens a sítios, lugares, livros e até pessoas, como Richard Burton (não o ator!) e Clarice Lispector; os demais são mais enigmáticos, com algo de Borges e de Fernando Pessoa (uma presença segura em vários contos). Algumas histórias são engraçadas (para não dizer que são só brincadeiras literárias do autor, embirro), como uma em que ele descreve como seriam os infernos de Borges e Garcia Marques ou outra onde um anjo se traveste de um Fernando Pessoa bêbado. Certamente é um bom lugar para se começar a conhecer a obra deste curioso autor.


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O Vendedor de Judas - Tércia Montenegro


O vendedor de Judas, livro de contos de Tércia Montenegro, revela uma escritura sensível aos dramas da condição humana. Os personagens que habitam as suas próprias filas são simplesmente convidados a participar em situações de destaque ou inusitadas, mas em primeiro lugar na sua fé ingénua, numa obsessão amorosa, na vida, sem sublime, sem patético, na solidão e nas inúmeras facetas que podem assumir o drama humano. E o aperto the seres, nossos semelhantes, a que a sua palavra de ordem, o grande problema nas memórias, a leitura, o que não é ver tudo: é ver o que nobody consegue ver.
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Foi devido à minha curiosidade que encontrei o livro que motivou este texto. Vendo tantos ali esquecidos, parei o que estava fazendo e remexi em velhas páginas, provavelmente nunca lidas antes.
Me deparei então com a branca e fina obra de uma autora da qual nunca ouvira falar; até aquele momento. E mesmo cometendo o velho pecado de julgar um livro pela capa, separei-o e deixei à mesa.
Inevitavelmente, sempre que me sentava àquela mesa, folheava a obra e observava as ilustrações que passavam rapidamente perante meu olhar. Quando alguma me chamava a atenção, voltava à página e olhava sem realmente entender aquelas imagens.
E mais uma vez a curiosidade me incentivava a saber mais sobre aquele livro e suas também curiosas ilustrações. Vencendo meu pré-julgamento, descobri do que ele realmente se tratava. Foi então que uma lâmpada acendeu-se em minha mente: "São contos!", exclamou o cérebro.
Contos! A paixão recém descoberta através dos escritos de Moacyr Scliar ardeu novamente em meu peito e eu não poderia deixar de ler aquele livro o mais rápido possível.
Enfim, o livro
Cinco páginas para despertar a minha já citada curiosidade, três para roubar a atenção e mais quatro para ter uma opinião completamente positiva a respeito da obra e de sua autora. 12 páginas foram o suficiente para considerar O Vendedor de Judas uma de minhas leituras favoritas.
A obra traz dezoito singulares e curtos contos, todos acompanhados de ilustrações, que só fazem real sentido depois de lida a história encabeçada pela figura. Quanto mais se observa, mais detalhes se encontra. E é nesse ciclo de observar, ler e retornar páginas para enfim compreender a gravura, que se desenvolve o livro.
E a partir da terceira ou quarta repetição deste ciclo, já não é mais possível fechar o livro e não voltar a lê-lo.
Tão admirável quanto o estilo de escrever é a idade com a qual Montenegro lançou sua obra de estréia: apenas 22 anos. Um fato que até hoje, 20 anos depois, impressiona quem lê o conjunto de contos.
E sabendo deste fato, não nos perguntamos quantos jovens escritores ainda não descobertos existem por aí?

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Histórias feitas das sensações e experiências de personagens em um cotidiano simples, mas às vezes surpreendentes. Entre o realismo e o mistério, os dezoitos contos que formam o livro falam de amores impossíveis, o temor da morte, saudade, presságios e fatalismo numa prosa lírica e sem disfarces.
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A arte do Conto de Tércia.
Para quem tem a visão de que a prosa feminina é, por si só, sensível, certamente não leu ainda a prosa de Tércia Montenegro. Distante da metafísica de Clarice, apesar de leitora assumida, Tercia traz nas costas de sua literatura um texto notoriamente regionalista. É visível a aproximação, por exemplo, do contista, também cearense, Moreira Campos. O que pode ser visto, para citar um exemplo, na repetição de diálogos na construção do sentido, como percebido em "Vitorina".
O livro de contos que traz Tércia ao universo da literatura feminina brasileira é perspicaz. Dividido em dezoito contos, a escritora faz um jogo com as figuras religiosas, tendo como protagonistas freira, padre, Madre, franciscano, judas, em contos que variam entre o cenário urbano e interiorano. Os contos, no entanto, no que diz respeito aos que apresentam figuras religiosas, não tratam com zelo e pacermônia as entidades cristalizadas, mas, do contrário, faz uma desconstrução dessas figuras. Uma Madre corrupta, um falso franciscano que mantém um relacionamento homossexual, um padre que se relacionava com uma mulher antes de morrer.
Entretanto, apesar do título sugestivo às temáticas abordadas, há outros contos que fogem do tema e se concentram em um cenário mais urbanístico.
De modo geral, os contos de Tércia, que variam entre três páginas em média, não trazem, em todos, um baque profundo, como é próprio dos contos tradicionais. Não é em todos que há a sensação de arrebatamento a ponto de bestializar o leitor. Porém, ao fim de cada um deles, o leitor toma consciência que Tércia, em suas peculiaridades, sabe o que faz.
                                                                        Wesley Batista

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#MadalenaSemFiltro - Rodrigo Alvarez


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Maria Madalena ressurge na narrativa histórica do escritor e jornalista Rodrigo Alvarez. O autor de best-sellers como Jesus - O homem mais amado da História e Aparecida apresenta em #MadalenaSemFiltro um texto atual em que Madalena, num tocante depoimento em primeira pessoa, revisita suas lutas, verbaliza suas ideias sobre os homens, detalha sua relação com Jesus, mostra-se indignada com as injustiças que sofreu e reflete sobre seu passado e seu presente - o século XXI, quando foi finalmente apontada como verdadeira apóstola daquele a quem todos chamam Cristo. Ela considera e avalia tudo o que foi dito a seu respeito ao longo dos séculos e rememora a importância que tiveram mulheres como a papisa Joana, Salomé e Maria da Penha, figuras femininas que, como Maria Madalena, tornaram-se ícones ao dizer "não" aos papeis impostos e pré-concebidos pelo mundo masculino. Baseada em fatos e documentos históricos (entre eles os evangelhos apócrifos da biblioteca de NagHammadi e o místico Pistis Sophia), #MadalenaSemFiltro é uma obra de alta qualidade literária concebida de maneira original por um escritor e pesquisador em pleno domínio de seus talentos.
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O jornalista, escritor e correspondente da Rede Globo Rodrigo Alvarez tomou a liberdade para retratar a figura de Maria Madalena, apóstola de Jesus Cristo que foi, durante anos, vítima de machismo e prejudicada em sua condição como representante da luta contra as injustiças.
Em entrevista à Rádio Metrópole hoje (3), o autor de “#Madalena Sem Filtro – Memórias Póstumas da Apóstola de Jesus” falou sobre a pesquisa e a construção do enredo para dar voz à figura controversa que acompanhou Jesus.
"A ideia é trazer Madalena para o nosso tempo para entender essa personagem que foi tão mal falada e mal interpretada ao longo da história de uma maneira diferente. Passaram-se dois mil anos e hoje, incrivelmente, há mais recursos para entender Madalena do que tínhamos há cem ou duzentos anos atrás, com muitas descobertas arqueológicas. A ideia é contar a história, mas trazer ao nosso tempo com o conhecimento que se tem hoje. É uma Madalena que fala em primeira pessoa. De certa forma, é como se fosse ela se apresentando uma outra vez", declarou o jornalista.
Questionado sobre a relação dos dois e se Madalena fez parte de um romance com Jesus Cristo, Alvarez falou da dificuldade de se definir uma resposta.
"Essa pergunta é dificílima de se responder. Qualquer pessoa que responde ela com 'Sim' ou 'Não', não estará dizendo a verdade. É preciso entender que ela era a pessoa mais próxima de Jesus. Quando a gente analisa o que há de documentação histórica, que houve, além dos quatro Evangelhos, muitos outros evangelhos e outros textos produzidos ao mesmo tempo que estes evangelhos chegaram e que contaram outros detalhes da história que não conhecíamos. Com esse conhecimento, com papiros e pergaminhos encontrados, existem indícios de relacionamento muito próximo entre os dois, uma amizade muito grande, com certeza, havia. Ela provocava ciúme a alguns apóstolos", disse o escritor.
                                                           Metrópole 

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Correspondente internacional da Globo, Rodrigo Alvarez é conhecido do público tanto pelo seu trabalho na televisão quanto pelos livros religiosos que escreve. "Aparecida", "Maria", "Milagres" e "Humanos Demais", publicados pela Globo Livros, venderam dezenas de milhares de exemplares e transformaram o autor em uma espécie de best-seller da fé. "#MadalenaSemFiltro – Memórias Póstumas da Apóstola de Jesus", seu novo trabalho, acaba de sair pela Leya e, diferente dos escritos que o consagraram, trata-se de uma ficção. Não que Rodrigo tenha inventado toda a vida de Maria Madalena, entretanto, apenas apostou fabulação para dar forma às pesquisas históricas que fez. Assim, narra em prim... - Veja mais em https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2018/12/19/m-madalena-feminista-x-joao-de-deus-o-oportuno-livro-de-rodrigo-alvarez/?cmpid=copiaecola

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Jesus através da Música Pop !



Jesus – O homem mais amado da História - Rodrigo Alvarez

Escrito pelo autor laico brasileiro que mais vende livros de temática religiosa no país, Jesus – O homem mais amado da História é a obra mais atual sobre a vida daquele que ensinou a humanidade a amar e dividiu a História em antes e depois. O escritor e jornalista Rodrigo Alvarez recorreu às fontes bibliográficas mais recentes, investigou as mais antigas (entre elas diversos manuscritos originais) e viajou pelos mesmos lugares percorridos por Jesus em seu tempo.

Fartamente ilustrado, o livro é resultado de uma pesquisa que buscou a informação em estado bruto – o mais livre possível dos interesses políticos e religiosos que sempre manipularam a História. O autor foi aos evangelhos, aos Atos dos Apóstolos, às cartas de Paulo, aos tratados de patriarcas, aos livros judaicos, às profecias, aos pergaminhos que os primeiros bispos da Igreja tentaram apagar na fogueira e aos livros gnósticos, com suas visões místicas, para reapresentar o leitor a uma figura histórica que, ao mesmo tempo Deus e humano, foi humilhado, traído, quebrou regras, desafiou e foi desafiado.
Rodrigo viveu três anos em Jerusalém, de onde partiu para visitas ao Sepulcro de Jesus, à Gruta da Natividade em Belém, a Nazaré, à Turquia, à Jordânia, ao Chipre, ao Mar Morto e, claro, ao rio Jordão. Caminhou pelos mesmos desertos que Jesus, meditou no alto das mesmas montanhas, pisou nas mesmas pedras, entrou nas cavernas de Jericó, tomou banho no Mar da Galileia e subiu ao monte onde a tradição afirma que Jesus fez seu sermão inaugural.
O livro aborda temas como a disputa com João Batista, o papel de Maria Madalena na vida de Jesus e manuscritos que, segundo interpretação divergente da tradição cristã predominante, resultam dos segredos de Jesus revelados a alguns apóstolos.
Da visão de Jesus sobre o apocalipse à reconstituição, em detalhes, dos últimos passos antes de sua morte, Rodrigo Alvarez conduz o leitor numa narrativa elegante e acessível. Mesmo quando caminha por passagens conhecidas o faz de uma maneira nova e emocionante, destrinchando também as descobertas arqueológicas mais recentes. Guiada pelos fatos, a obra lança luz sobre um Jesus de antes do cristianismo e de todas as suas divisões futuras – e que mostra a todos os leitores, cristãos ou não, e até mesmo ateus, a relevância e a permanência da trajetória de um homem que pregou o amor e a tolerância e elevou a ética humana a outro patamar.
Jesus – O homem mais amado da História é dedicado, nas palavras do autor, “aos católicos, aos evangélicos – cristãos de todas as cores – e também aos espíritas, aos muçulmanos, aos budistas, aos seguidores de outras religiões, ou de nenhuma; a todos aqueles que, como Jesus, entendem que o amor ao próximo é a parte mais bonita de nossa existência – e que toda a existência humana, por si só, sempre foi e será sagrada.”
*****************************************************************"O homem mais amado da História: a biografia daquele que ensinou a humanidade a amar e dividiu a História em antes e depois" é o livro sobre a vida do homem cuja história mantém seu vigor e interesse há mais de dois mil anos. O escritor e jornalista Rodrigo Alvarez tomou como base as fontes arqueológicas e bibliográficas mais recentes, além das mais antigas (entre eles diversos manuscritos originais), e viajou pelos mesmos lugares percorridos por Jesus em seu tempo para reconstituir os passos do pregador que, ao mesmo tempo Deus e homem, ensinou a amar, mudou o curso da humanidade e dividiu a História em antes e depois. Com uma narrativa elegante, acessível e guiada pelos fatos, além de ricamente ilustrado, Jesus - O homem mais amado da História é um livro sobre um Jesus de antes do cristianismo e de todas as suas divisões futuras - e que mostra a todos os leitores, cristãos ou não, a relevância e a permanência de sua trajetória e de seus ensinamentos.
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Rodrigo Alvarez

Rodrigo Alvarez começou 
a pesquisa sobre temas religiosos em 2011 e desde então publicou best-sellers como Aparecida e Humano demais. O autor prossegue em suas pesquisas religiosas e promete mais um livro sobre a presença de Jesus Cristo na História e o quanto a História se faz em seu nome, além de estar preparando sua estreia na ficção. Rodrigo é correspondente da TV Globo na Europa.

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Rodrigo Alvarez: “Jesus não é dos cristãos apenas. É da humanidade”

Um dos autores que mais vendem livros de temática religiosa no Brasil, Rodrigo Alvarez passou por BH para lançar “Jesus – O homem mais amado da história” – Foto Ana Cristina Nascituri Alvarez

Na quarta-feira da semana passada, dia 04 de abril, o correspondente da TV Globo na Europa Rodrigo Alvarez passou por Belo Horizonte para lançar “Jesus – O homem mais amado da história” (Leya, 368 páginas). Recebi o livro e conversei com o autor para o Sala de Leitura. Diferentemente do que muitos podem pensar, não é uma obra voltada, somente, para cristãos. Suas linhas são dedicadas “a todos aqueles que, como Jesus, entendem que o amor ao próximo é a parte mais bonita de nossa existência – e que toda a existência humana, por si só, sempre foi e será sagrada”, escreveu esse que está entre os autores que mais vendem livros de temática religiosa no país.

“Jesus não é dos cristãos apenas. É da humanidade. Então, o livro fala para todos. Isso que é importante ter claro. Não adianta segmentar Jesus. Ele não é um personagem pequeno, que pode ficar restrito a um grupo. É mais do que isso. Ele mudou a história da humanidade, e assim ele é tratado no livro: como o homem mais importante, o homem mais amado da história.”

Alvarez nos entrega essa biografia após ter vivido durante três anos em Jerusalém. Por lá, percorreu os mesmos lugares que Jesus e, nessa nova empreitada, trouxe-nos um trabalho com pesquisas a fontes recentes e a documentos antigos, incluindo pergaminhos que os primeiros bispos da igreja tentaram apagar na fogueira. Ele nos diz que sua intenção, desde o início, foi fugir de interesses políticos e religiosos, olhares repetitivos e sensacionalismos. A disputa com João Batista, o papel de Maria Madalena na vida de Jesus, a visão de Jesus sobre o Apocalipse e a reconstituição, em detalhes, dos últimos passos antes de sua morte são alguns dos assuntos tratados na obra, riquíssima, também, em imagens.

Já no fim de 2017, Rodrigo Alvarez deixou a Globo Livros, pela qual publicou “Haiti, depois do inferno”, os best-sellers “Aparecida”, “Maria” e “Humano demais”, e tornou-se a mais nova aposta da Leya. “Jesus – O homem mais amado da história” é o primeiro livro na nova editora e, a partir daqui, o projeto é investir mais e mais em seu lado escritor.

Marisa Loures – Você volta a lançar um livro com temática religiosa. O que te instigou a se lançar sobre essa história e sobre todas as outras histórias anteriores?

Rodrigo Alvarez – Primeiro, tenho que ter um interesse muito grande sobre o assunto. E eu tenho desde criança, de certa forma, porque, no meu colégio, tive um padre que me contava muitas histórias. E aquilo me interessava muito. Mas, depois disso, o interesse do escritor que se iniciou com o livro “Aparecida”, que eu comecei a pesquisar em 2011, veio crescendo depois que morei em Jerusalém, por experimentar esses lugares todos, viver, ver de perto onde Jesus viveu. Isso me deu uma impressão de que faltava um livro que realmente falasse o que foi a vida de Jesus, indo até aqueles lugares, experimentando aqueles lugares e trazendo para o nosso tempo de hoje uma pesquisa mais atual, obviamente, sem deixar de recorrer aos textos mais antigos. Não só os evangelhos, mas a muitos outros textos que existem e que as pessoas não conhecem. O Jesus que nos chega, hoje, chega muito fragmentado. Então, o livro traz o Jesus completo, a história inteira, sem censura, sem sensacionalismo também e com a delicadeza que merece esse que nós chamamos de o homem mais amado da história.Um dos autores que mais vendem livros de temática religiosa no Brasil, Rodrigo Alvarez passou por BH para lançar “Jesus – O homem mais amado da história” – Foto Ana Cristina Nascituri Alvarez

Na quarta-feira da semana passada, dia 04 de abril, o correspondente da TV Globo na Europa Rodrigo Alvarez passou por Belo Horizonte para lançar “Jesus – O homem mais amado da história” (Leya, 368 páginas). Recebi o livro e conversei com o autor para o Sala de Leitura. Diferentemente do que muitos podem pensar, não é uma obra voltada, somente, para cristãos. Suas linhas são dedicadas “a todos aqueles que, como Jesus, entendem que o amor ao próximo é a parte mais bonita de nossa existência – e que toda a existência humana, por si só, sempre foi e será sagrada”, escreveu esse que está entre os autores que mais vendem livros de temática religiosa no país.

“Jesus não é dos cristãos apenas. É da humanidade. Então, o livro fala para todos. Isso que é importante ter claro. Não adianta segmentar Jesus. Ele não é um personagem pequeno, que pode ficar restrito a um grupo. É mais do que isso. Ele mudou a história da humanidade, e assim ele é tratado no livro: como o homem mais importante, o homem mais amado da história.”

Alvarez nos entrega essa biografia após ter vivido durante três anos em Jerusalém. Por lá, percorreu os mesmos lugares que Jesus e, nessa nova empreitada, trouxe-nos um trabalho com pesquisas a fontes recentes e a documentos antigos, incluindo pergaminhos que os primeiros bispos da igreja tentaram apagar na fogueira. Ele nos diz que sua intenção, desde o início, foi fugir de interesses políticos e religiosos, olhares repetitivos e sensacionalismos. A disputa com João Batista, o papel de Maria Madalena na vida de Jesus, a visão de Jesus sobre o Apocalipse e a reconstituição, em detalhes, dos últimos passos antes de sua morte são alguns dos assuntos tratados na obra, riquíssima, também, em imagens.

Já no fim de 2017, Rodrigo Alvarez deixou a Globo Livros, pela qual publicou “Haiti, depois do inferno”, os best-sellers “Aparecida”, “Maria” e “Humano demais”, e tornou-se a mais nova aposta da Leya. “Jesus – O homem mais amado da história” é o primeiro livro na nova editora e, a partir daqui, o projeto é investir mais e mais em seu lado escritor.

Marisa Loures – Você volta a lançar um livro com temática religiosa. O que te instigou a se lançar sobre essa história e sobre todas as outras histórias anteriores?

Rodrigo Alvarez – Primeiro, tenho que ter um interesse muito grande sobre o assunto. E eu tenho desde criança, de certa forma, porque, no meu colégio, tive um padre que me contava muitas histórias. E aquilo me interessava muito. Mas, depois disso, o interesse do escritor que se iniciou com o livro “Aparecida”, que eu comecei a pesquisar em 2011, veio crescendo depois que morei em Jerusalém, por experimentar esses lugares todos, viver, ver de perto onde Jesus viveu. Isso me deu uma impressão de que faltava um livro que realmente falasse o que foi a vida de Jesus, indo até aqueles lugares, experimentando aqueles lugares e trazendo para o nosso tempo de hoje uma pesquisa mais atual, obviamente, sem deixar de recorrer aos textos mais antigos. Não só os evangelhos, mas a muitos outros textos que existem e que as pessoas não conhecem. O Jesus que nos chega, hoje, chega muito fragmentado. Então, o livro traz o Jesus completo, a história inteira, sem censura, sem sensacionalismo também e com a delicadeza que merece esse que nós chamamos de o homem mais amado da história.
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Maria - Rodrigo Alvarez


            A Virgem, a Nossa Senhora, a Mãe de Deus. Todos sabem quem é Maria, mas qual a sua história? Como explicar, após mais de 400 anos da morte de Jesus, a virgem coadjuvante passou a ser exaltada como a Mãe de Deus?
             Rodrigo Alvarez, em Maria, nos apresenta diversas faces daquela que se tornou uma das figuras femininas mais importantes de todos os tempos. Na obra, o autor conta a história da mulher que deu à luz ao Filho de Deus. Apresenta a biografia da mulher que gerou o homem mais importante da história, viveu um inferno, dividiu os cristãos e conquistou meio mundo.
            Quando o Cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano, a importância de Maria se tornou o centro de uma disputa ferrenha entre uma imperatriz e um bispo. Seria ela um veículo para o nascimento de Cristo ou a Mãe de Deus? Como a virgem se tornou Nossa Senhora? Nessa biografia, Rodrigo Alvarez revela como surgiu uma das figuras femininas mais importantes da nossa cultura.

                 De acordo com o jornalista, a relação com o tema teve início há quatro anos, quando começou a fazer pesquisas para escrever o livroAparecida, lançado em 2014. “A ideia era contar a história de Mariano livro Aparecida, mas como o conteúdo era grande, resolvi escrever outra obra. Para isso, visitei oito países diferentes como Israel, Turquia, ouvi muitas pessoas e colhi muitos documentos e materiais”, disse.
Rodrigo Alvarez consulta Evangelhos, livros apócrifos e diversos relatos para compor a emocionante história de uma menina criada no templo, que mesmo sendo virgem, soube pelo anjo Arcanjo Gabriel que estava grávida e que daria à luz o filho de Deus — O homem que mudaria os rumos da humanidade.
                  Maria, ao contar a novidade a seu companheiro, percebe que José, inicialmente, não embarcou na história e a repudiou. Depois, o casal se reconciliou. E, a partir daí, a mãe do menino Jesus passou a ter relações sexuais com o marido carpinteiro. Eles tiveram quatro filhos: Tiago, José, Simão e Judas. A sequência dos acontecimentos combina informações citadas na Bíblia a detalhes descritos em textos apócrifos, classificados como falsos pela Igreja Católica.
O autor utiliza os evangelhos e outros textos bíblicos, documentos históricos (muitos do acervo do Vaticano), relatos não reconhecidos pela Igreja Católica e até mesmo pesquisas arqueológicas para reconstituir a trajetória de Maria, sem deixar de destacar as dúvidas existentes em torno de cada situação retratada, abordando temas que provocaram discussões teológicas ao longo de séculos como a virgindade ou lugar e data da morte de Maria. “A decisão foi admitir sempre as fragilidades da história. Deixo claro quando não existem provas a respeito de uma informação”, diz o escritor.
O suposto adultério associado a Maria e citado no Talmude (livro sagrado da religião judaica), que contribuiu para acirrar as desavenças históricas entre cristãos e judeus. O trecho relacionado à traição foi excluído do Talmude ainda no século 17, mas foi mencionado na biografia, pois segundo o autor “Foi um boato sem fundamento, mas que precisava ser contado neste contexto histórico”.
O livro tem 206 páginas e 31 capítulos, divididos em três momentos: A vida de Maria; Theotokos, a Mãe de Deus; e Maria do Mundo, que trata sobre as faces de Maria e devoções. Entre as aparições, Alvarez fala sobre Guadalupe, Fátima, Lourdes, Catarina Labouré e outras.
                Alvarez ressalta ainda que alguns detalhes jamais comprovados nas escrituras acabaram incorporados à tradição da religião: “Os pais de Maria são conhecidos como Ana e Joaquim. São chamados assim há muitos séculos. Só que isso não está escrito em lugar nenhum. Não há nenhuma escritura ou texto sagrado que mencione os nomes Ana e Joaquim”.
A obra, garante Alvarez, revela a vida de Maria e traz também alguns pontos polêmicos da igreja católica. Outro ponto da biografia diz respeito ao papel secundário da mãe de Jesus nas escrituras. “Só existem seis falas atribuídas a Maria em toda a Bíblia”, pondera Alvarez.
Apesar dos católicos serem o público-alvo dos dois livros de Alvarez —Aparecida e Maria— as obras acabaram despertando o interesse de outros segmentos e religiões, tornando-se impossível ignorar a importância de Maria, já que ela faz parte da história da humanidade. É um personagem vivo, que é referência de mãe e de mulher.
Conheça o autor
               Rodrigo Alvarez nasceu no Rio de Janeiro e atualmente é correspondente da TV Globo em Jerusalém. Passou os últimos dez anos entre São Paulo, Nova York, São Francisco e o Oriente Médio, como repórter e correspondente da TV Globo.
Desde 2013 mora em Jerusalém, a dois quilômetros do lugar onde acredita-se ser o túmulo de Maria. Muito próximo dali tem a casa onde ela teria nascido. Como jornalista e escritor, é difícil não contar uma história que é tão próxima. Era como estar vivendo dentro da história. Ficou muito instigado a escrever porque as pessoas conhecem muito Maria, mas entendem muito pouco como ela se tornou alvo de devoção a ponto de se tornar, talvez, a figura feminina mais importante da história da humanidade.
               Autor de Aparecida e Haiti, depois do inferno, publicados pela Globo Livros, foi com o livro Aparecida, publicado em setembro de 2014 — que conta como a imagem de uma santa encontrada no fundo de um rio se tornou a padroeira do Brasil —, que conquistou os leitores, com uma tiragem inicial de 15 mil exemplares, tornando-se , um ano depois, um best-seller com a marca de 180 mil exemplares vendidos.
            A expectativa é que o novo trabalho conquiste ainda mais atenção dos leitores pela importância de Maria na história da humanidade. Com uma tiragem inicial de 100.000 cópias, vale a pena dizer, que já figura na lista dos 10 livros mais vendidos no Brasil, segundo a Revista Veja. O livro é uma obra inédita e completa sobre a mãe de Cristo segundo o olhar de um brasileiro.

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Código da Vida - Saulo Ramos

O livro Código da Vida do advogado Saulo Ramos é saudado pelo humorista Jô Soares, em sua contracapa, com uma frase do escritor francês Antoine de Rivarol, para quem o historiador e o romancista fazem entre si uma troca de verdades e de ficções. “Acho que esta citação foi feita pensando no seu livro”, disse Jô Soares. Faz sentido.
A pretexto de registrar suas memórias, Saulo Ramos, consultor-geral da República e ministro da Justiça no governo Sarney, misturou ficção e realidade para edulcorar sua biografia, elogiar-se e martirizar desafetos. Também reescreve episódios do qual participou dentro de uma ótica bastante peculiar. Mas contestada por seus protagonistas.
O advogado afirma ser o criador da fórmula da súmula vinculante, do Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), das leis de proteção ao deficiente físico e de ter introduzido no Brasil as leis e a preocupação com o meio ambiente. Sem ele, a Constituição brasileira seria um amontoado de besteiras e foi ele também quem salvou o arquipélago de Fernando de Noronha. Narra casos em que juízes foram a sua casa pedir ajuda para produzir sentenças e de ensinamentos dados por ele a ministros do STF e do STJ — embora o advogado praticamente não tenha atuado junto a esses tribunais, conforme os registros disponíveis.
Quem inventa é inventor
Saulo reivindica para si também a criação das seções de notas curtas que fazem sucesso em jornais. Afirma que foi na seção “Semanascópio” que ele escrevia na Tribuna de Santos que o Jornal do Brasil e a Folha de S.Paulo se basearam para instituir o Informe JB e o Painel. Não é bem assim.
Ele faz revelações espantosas: teria sido Fidel Castro quem preparou a morte de Che Guevara na Bolívia — ao mandar ao encontro do guerrilheiro uma mulher que, Fidel sabia, estava sendo perseguida pela CIA. Outra: Luís Carlos Prestes, para não ser preso, teria barganhado com a política a entrega de suas famosas cadernetas que acabaram por fundamentar o inquérito que indiciou 74 pessoas e que levou à condenação de 54 na primeira instância da Justiça Militar, em junho de 1966. Outro furo internacional: na briga com a Petrobras, Evo Morales, da Bolívia, “não afinou por temor ao governo brasileiro, mas porque os traficantes do Rio de Janeiro ameaçaram importar somente cocaína da Colômbia”.
Saulo, conhecido como o Spielberg da advocacia, inicia sua obra contando uma glória pessoal: como fez para enganar um policial rodoviário que o flagrou falando ao celular, enquanto dirigia a 100 quilômetros por hora na Via Anhangüera. É a primeira das muitas passagens em que o advogado se vangloria de ter ludibriado pessoas e a ética. Fica apenas uma dúvida. O episódio teria ocorrido na década de 80. Os telefones celulares só chegaram em São Paulo em 1993.
Outra situação complicada é a narrativa de uma reunião em que, então na Presidência da República, José Sarney debateu com os ministros uma proposta da equipe econômica do governo. A inflação corria na explosiva faixa dos 80% ao mês. O presidente eleito, Fernando Collor, e sua equipe davam entrevistas espantosas. O então ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, preocupado com o perigo do completo descontrole da economia, aventou a possibilidade de antecipar a posse do novo governo, a exemplo do que se fizera na Argentina.
Pela narrativa de Saulo, Maílson teria sido acusado de traição e o ministro do Exército à época, general Leônidas Pires Gonçalves, teria chegado a ponto de ameaçar sair no braço com o então ministro-chefe do Serviço Nacional de Informações, general Ivan de Souza Mendes, que concordou com as preocupações de Maílson e seu colega do Planejamento, João Batista de Abreu.
Ao tomar conhecimento da versão, esta semana, Ivan de Souza Mendes riu bastante. “Esse Saulo é mesmo um trêfego”, afirmou, repetindo o adjetivo que costumava usar para definir seu antigo colega de governo. Maílson também rebateu: “Isso é invenção. Esses diálogos não existiram”. E lembrou que estava sentado ao lado de Leônidas e Ivan naquela reunião.
Leônidas foi além: “Esse cidadão está maluco”. O ex-ministro do Exército, dono de memória prodigiosa, refez o relato da reunião e reafirmou que “havia muita compostura e respeito nessas reuniões. Não havia a menor possibilidade de uma grosseria dessas”. De quebra, o general corrigiu outros relatos feito por Saulo. “Ele não está bom da cabeça”, concluiu.
Procurado, o senador José Sarney preferiu não fazer comentários a respeito do livro do amigo.
Exercício de leviandade
Os trechos mais perversos do panegírico que Saulo escreveu em sua homenagem são os que mencionam o ministro do Supremo Tribunal Federal, José Celso de Mello Filho. O advogado diz que, quando se ia examinar a validade do domicílio eleitoral de José Sarney no Amapá, Celso de Mello teria telefonado para avisar que só se encontravam no STF ele e o ministro Marco Aurélio. E que seria arriscado entrar com o pedido, já que Marco Aurélio, por ser primo de Collor, poderia complicar as coisas para Sarney. Na vida real, os onze ministros do STF encontravam-se na Corte naquele dia, conforme atesta a própria Ata de Distribuição de processos.
Mas o fato é que o pedido caiu nas mãos de Marco Aurélio, que deu a liminar em favor de Sarney. E relata Saulo: “Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura de Sarney.”
Corria o ano de 1990. No dia seguinte, Celso de Mello, na versão de Saulo, teria lhe explicado que “quando chegou minha vez, o presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu.” A explicação atribuída ao ministro foi que seu voto contrário se devia a uma notícia da Folha de S.Paulo, informando que Celso de Mello votaria a favor do presidente que o nomeou para o STF. Pela narrativa de Saulo, ele teria dito um palavrão ao ministro, batido o telefone e nunca mais falado com ele, certamente inconformado com a absoluta independência e integridade que o ministro Celso sempre demonstrou no exercício de sua função, como é notório e reconhecido pela comunidade jurídica do país.
Correções ao livro: os arquivos da Folha não mostram a tal notícia. Saulo Ramos, na própria publicação, cita outros diálogos posteriores com o ministro — sempre para ofendê-lo gratuitamente — sem contar que compareceu à posse de Celso quando este assumiu a Presidência do Supremo, em 1997.
Celso de Mello não foi o último a votar no caso mencionado. Ele era um dos mais jovens integrantes da Corte e, nessa condição, votava antes. Ele foi o terceiro a se manifestar, logo depois do relator, Marco Aurélio, e de Carlos Velloso — ambos favoráveis a Sarney. Celso votou contra, em voto longo e fundamentado, acompanhado por Sydney Sanches e Octávio Galotti, em momento no qual o resultado do julgamento estava longe de se definir.
Entre outras agressões ao ministro, Saulo alude à “tendência do ministro Celso de Mello em favorecer os poderosos”, no STF. Correção: levantamento feito para o Anuário da Justiça 2007, produzido pela equipe deste site, mostra, estatisticamente, que, em seus votos, nas questões que dividem empresas e consumidores, Celso de Mello vota com os consumidores; o Fisco leva a pior nos confrontos com os contribuintes; vota mais com empregados que com empregadores; com o cidadão, em desfavor do Estado; e é permanentemente garantista em relação aos direitos fundamentais.
Saulo Ramos confundiu franqueza com fraqueza. Bem poderia gabar-se de ter contribuído para a nomeação de um dos melhores ministros da história do STF. Em vez disso, usou seu livro para tentar comprometer a biografia de um brasileiro contra quem jamais se fez qualquer acusação e que é reconhecido e respeitado pela dignidade com que sempre se conduziu.
"Quem der crédito a tudo que o livro diz, facilmente verá que a maior e mais frutífera obra do autor foi apoiar a indicação de Celso de Mello para o Supremo Tribunal Federal", afirma o advogado Arnaldo Malheiros Filho. "Pena que ele se arrependa de algo tão positivo. Celso de Mello se revelou um juiz constitucional de uma grandeza tão proeminente que agressões chulas não chegam nem perto de arranhá-lo. E esse testemunho público de que ele judica sem se dar ao compadrismo só pesa em seu favor", conclui o criminalista.
Caçador de bagres
Saulo Ramos conta, triunfante, como conseguiu impedir a circulação do livro que um ex-mordomo de Roberto Carlos escreveu sobre o cantor. Outra tesourada conseguida por ele foi no livro de Adelaide Carraro, no capítulo que ela dedicara ao ex-presidente Jânio Quadros.
Ainda com Roberto Carlos, Saulo narra como enganou os diretores da gravadora do artista, na renovação de um contrato, dizendo que negociava o passe do cantor com uma outra empresa, a Basf. Confessa que vendia cargas de café em grão do interior de São Paulo, no porto de Santos, como se fossem do Paraná, já que o produto desse estado alcançava preço melhor. E que, quando foi convidado a redigir um pedido de Habeas Corpus, para ser assinado pelo advogado Pedroso Horta, em favor de Jânio Quadros, fez o que ele chama de “quase-molecagem”: citou como doutrina trechos de uma obra penal inexistente. O autor do livro citado: “o jurista Saulo Ramos”. Conta também, entre uma patifaria e outra, como fazia para barganhar cargos e favores quando estava no governo. “Aprendi a conviver com a minha consciência”, consola-se.
Aprendeu, de fato. Em meio aos trechos que sobraram no livro está o suicídio de uma jovem. Segundo Saulo, a moça matou-se por alimentar uma paixão não correspondida por ele. Com orgulho mal disfarçado, o escritor relata que, ao comparecer ao velório, foi enxotado pelos parentes a golpes de guarda-chuvas.
Não se pode negar originalidade nem bom humor ao escritor Saulo Ramos. Embora coerência e fidelidade aos fatos não seja seu forte. Afinal, nem ele próprio — que chega a se chamar de “caçador de bagres” escapa da sua língua: “Dizem que, quando voltou ao mundo, para castigar os homens, Deus mandou ao Egito a praga dos gafanhotos; e ao Brasil a praga dos advogados”. O advogado Saulo Ramos, parece, seria uma agravante dessa pena.
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Livro de memórias? De suspense? De história? Código da vida é um pouco de tudo isso. Ao narrar sua trajetória de vida, desde a infância no interior de São Paulo até os dias de hoje, o renomado jurista Saulo Ramos acaba contando detalhes de inúmeros fatos e acontecimentos de nosso país, de um ponto de vista de quem sempre acompanhou tudo de perto, seja como espectador, seja como um dos personagens principais. Nesse caleidoscópio de reminiscências, o autor desfila críticas e elogios aos personagens mencionados ? Lula, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, entre outros -trazendo ao leitor uma narrativa apaixonante e envolvente.
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Em 'Código da vida', a pretexto de contar, com todos os detalhes, um caso curiosíssimo que viveu como advogado, Saulo Ramos intermeia essa história de suspense absolutamente verídica com sua história de vida, desde a infância nas cidades paulistas de Brodowski e Cravinhos, até os dias de hoje. Como o menino do interior chegou a Consultor Geral da República?

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De fato, muitos cidadãos devem ler Código da Vida e certamente suas vidas terão uma linha divisória, antes e depois, à leitura deste livro.Digo isto porque tal obra literária demonstra, em forma de romance, o retrato de um Estado de Direito em formação democrática, pós regime militar, onde, além de interpretado e moldado, também é posto em prática de maneira magnânima, mostrando que a vida possui códigos de interligações incríveis!Uma verdadeira aula de história, ética, direito, filosofia, cultura...., enfim, uma aula de vida!Parabéns Dr.Saulo Ramos e obrigado por nos ter brindado com esta obra de valor imensurável! Procuro agora o código que me fez lê-lo!

TESTEMUNHO DE CORAGEM

Iná Brasílio de Siqueira
||Código da Vida|| é um fantástico testemunho de coragem, de autenticidade, de hombridade do extraordinário Saulo Ramos. É tudo o que todo brasileiro precisa ler!Parabéns, Saulo!!!! Para esvrever livro semelhante a esse seu, ainda vai nascer um autorque se possa comparar#se é que poderá haver comparação##... Excelente trabalho!!! Deus o abençoe!!! Iná Brasílio de Siqueira #Professora, Poeta, Cronista e Contista, filha de Baependi, Sul das Gerais##



Causos do seu cotidiano
Umberto T. Silva
Um livro bastante envolvente com uma escrita facil de entender historia verdadeiras na qual seu autor viveu e recomendo a todos por quer são fatos da nossa historia que nos futuros anos vem muito ajudar. E mais a leitura e uma fonte inesgotaveis de conhecimento para o futuro da humanidade Leia Bastante. OK


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Vivencia e sucesso

PAULO FERNANDO DE MELLO TAVARES
Dr. Saulo Ramos dá um relato quase histórico do Brasil comtemporâneo usando como pano de fundo um caso de direito de família. Personagens famosos das últimas décadas da história política e jurídica do Brasil são retratados com honestidade, sinceridade e com uma boa dose de picardia. Recomendo a todos os advogados e não juristas.


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O livro é pura ousadia e coragem

Mirian Veloso
Não penso em como o menino chegou a Procurador, mas como o menino cresceu e ousou contar sua participação ativa na história política do Brasil.

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D++++++++++


Marcio Clemente
Este livro é maravilhoso estou amarradão, é meio comédia também tem partes que realmente só rindo,estou muito feliz ainda estou lendo mas já maravilhado.Saulo Deus te guarde.1 Grande abraço.


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Quase excelente!

SERGIO ALENCAR DE SOUZA
Ótima oportunidade para conhecer um pouco da história recente da república com uma leitura agradabilíssima, proporcionada pelo Dr. Saulo Ramos. No entanto, sua parcialidade com algumas figuras, principalmente José Sarney e cia., impede que a obra seja, em minha opinião, ||perfeita||. Estou convicto que José Sarney não entrará para a história do Brasil tão bem como no livro do Dr. Saulo Ramos. Apesar disto, não posso deixar de classifica-lo como ótimo, o que de fato é.

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Espelho retrovisor.

JOSE PINTO DA SILVA
A leitura é fascinante,e para mim foi como uma retrospectiva, pois sou contemporâneo dos fatos políticos narrados. O autor além de grande advogado, é escritor de talento.

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Desvendado o Código da Vida!
MARIO SILVESTRE DE MEROE
Para mim, não foi surpresa, mas aumentou em muito minha admiração pelo autor. Nesta obra, o Dr. Saulo Ramos faz uma sinopse da vida nacional #diga-se: vida vivida mesmo!##, ao mesmo tempo em que narra uma interessantíssima ação judicial, na qual, o ilustre advogado faz seu papel de sempre: magnífico, e, sobretudo, ético! A intercalação das etapas do processo no contexto da vida nacional, leva à uma compreensão de uma situação viva, coexistindo e movimentando-se no organismo cultural,legal e cotidiano de nossa época. Parabéns ao eminente autor, e muito obrigado por mais essa preciosidade com que nos brindou.

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UMA LEITURA CATIVANTE ! !

RICARDO
O livro possui um ritmo gostoso de leitura proporcionado por curtos capítulos onde temos a sensação de estarmos naquela roda de amigos em que um deles nos conta ||os causos|| interessantes de sua vida. O autor nos brinda com uma narrativa deliciosa de sua carreira jurídica entremeada com os bastidores políticos e personalidades públicas do passado recente do Brasil. Corre-se o risco de começar a ler e não conseguir parar mais!!


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Vida - Paulo Leminski

              "Com os três livros que publiquei, Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e o que agora estou escrevendo sobre Trótski, quero fazer um ciclo de biografias que, um dia, pretendo publicar num só volume, chamado Vida. São quatro modos de como a vida pode se manifestar: a vida de um grande poeta negro de Santa Catarina, simbolista, que se chamou Cruz e Sousa; Bashô, um japonês que abandonou a classe samurai para se dedicar apenas à poesia e é considerado o pai do haikai; Jesus, profeta judeu que propôs uma mensagem que está viva dois mil anos depois; Trótski, o político, o militar, o ideólogo, que ao lado de Lênin realizou a grande Revolução Russa, a maior de todas as revoluções, porque transformou profundamente a sociedade dos homens."
              Ler "Vida" de Paulo Leminski foi um prazer, uma leitura saborosa. que eu não queria terminar, já fazer a resenha dele, me parece uma tarefa árdua, pois como escrever sobre um livro tão magistral e poético?
              Em "Vida" o autor escreve sobre 4 de seus maiores exemplos de vida, foram pessoas que de certa forma marcaram a vida de Leminski e que o acompanharam em sua curta permanência na Terra.
            Cruz e Souza marcou a vida do escritor pela genialidade com as palavras, pela sensibilidade da poesia e a inquietação dos sentimentos.

            Bashô um ex samurai, larga a vida militar para se dedicar a poesia.
           Jesus, um homem tão atual, apesar dos mais de 2000 anos de existência, e marcou Paulo que quase foi um monge beneditino.
         E Trótski que norteou o pensamento revolucionário do nosso poeta curitibano.
        O livro é denso e inteligente. Leminski alterna poesia, gravuras, fábulas, e história. Conta sobre a vida desses 4 ícones de forma atraente e dinâmica, não tem como não admirar os escolhidos pelo autor, e entender como eles influenciaram a vida deste.
Vale a leitura!

site: www.mulhericesecialtda.com


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Nesta obra Paulo Leminski compõe ensaios biográficos sobre quatro grandes nomes, “quatro de seus heróis de lírica e de luta” (segundo a orelha da obra), revelando aspectos inusitados ou pouco explorados desses personagens.

“Cruz e Souza: o negro branco” (1983) trata do poeta catarinense, descendente de escravos, e o maior representante do nosso Simbolismo; uma vida marcada pela miséria, sofrimento, preconceito e o não reconhecimento da sua importância dentro de nossa literatura durante muitos anos. Em “Bashô: a lágrima do peixe” (1983), aborda a vida de Matsuó Bashô, considerado o pai do haikai (forma curta de poesia de origem japonesa), um samurai que abandona sua classe para se tornar poeta. Esses dois ensaios são verdadeiras aulas de poesia, numa abordagem original de análise e de desvelamento do fazer poético; um atestado do virtuosismo e do domínio de Leminski sobre o gênero que o consagrou.

Em “Jesus a.C.” (1984), Leminski aborda os evangelhos a partir de um novo olhar, ao tratar da vida do profeta judeu cuja mensagem está presente no mundo até os dias de hoje, mais de dois mil anos após a sua existência. Jesus é retratado como um revolucionário, cuja radicalidade das ideias marcou sua época, afrontando os poderosos e levando-o à morte.

Já em “Trótski: a paixão segundo a revolução” (1986), o maior dos ensaios dessa obra, acompanhamos a vida do intelectual, político, militar, e um dos ideólogos e líderes da Revolução Russa (1917), Leon Trótski. Leminski realiza uma prazerosa e inesperada analogia entre a história russa e os personagens principais de OS IRMÃOS KARAMÓZOV, de Dostoievski, até chegar propriamente à Revolução e ao papel ocupado por Trótski nela.

Quatro ensaios comprovando que Paulo Leminski, além de um poeta genial, também foi um prosador de mão cheia!


                                                        Regifreitas
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                              Didático sem ser pedante
                    A gente aprende Simbolismo na escola, de Cruz e Souza 2 ou 3 poemas, se tanto, sua obra principal (de nome) e só. De Bashô, só se você tiver sorte de encontrar na internet alguém que o divulgue. Somos inundados por sabedores da vida de Jesus diariamente, de Paulo ao pastor de garagem, todos estão mais certos (e loucos) que os outros, todos estão doutrinariamente errados, uma vez que incertos. Trotski a gente aprende na aula de história, o herói da revolução russa e do socialismo. ''Só que não é bem assim'', diria Leminski (ou a minha professora de literatura da universidade). Cruz e Souza merece espaços maiores, aprendizados maiores, Leminski felizmente nos proporcionou uma bela biografia. Basho precisa ser reeditado no Brasil, Olga Savary, tradutora de Basho e pioneira do haicai no Brasil tem que ser relembrada. O Jesus de Leminski é poeta, parabólico, porém ao contrário do que muitos imaginariam, não é hippie, ''paz e amor, bicho''. Trotski tem um espaço maior e do tamanho da União Soviética no livro, pouca gente o conhece da forma em que ele aparece - acredito que muitos professores de história desconhecem essa figura. Quando comprei o livro não imaginei que gostaria de ler sobre o último biografado. Mas quando a gente quer aprender, quer conhecer uma pessoa histórica tem que ir fundo, Leminski proporciona uma conexão agradável com o leitor. A poesia é o canal certo.
                                                      Israel

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O livro é denso e inteligente. Leminski alterna poesia, gravuras, fábulas, e história. Conta sobre a vida de 4 ícones (Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski) de forma atraente e dinâmica, não tem como não admirar os escolhidos pelo autor, e entender como eles influenciaram a vida deste.

Ler "Vida" de Paulo Leminski foi um prazer, uma leitura saborosa que eu não queria terminar.

Vale cada palavra!


Igor Jota


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                                     Incrível!
O livro Vida de Paulo Leminski traz quatro biografias contadas de uma maneira bem peculiar. Os contemplados foram Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski, todos personalidades marcantes e que viveram intensamente e poeticamente mesmo quando a vida era prosa.
Vida mostra uma faceta de Paulo Leminski que poucos conhecem, já que boa parte dos leitores o conhece especialmente por seus haicais Vida prova que Paulo Leminski não é só poesia e haicai. Paulo Leminski é poesia em prosa e biografia.
Alguns, acostumados com a poesia sucinta e breve de Paulo Leminski vão se assustar com Vida, outros não, porque mesmo escrevendo biografias P. Leminski supera e concentra nas palavras uma poesia peculiar, isto é, Leminski imprime sua marca.
As biografias de Cruz e Sousa e Bashô são as que mais concentram poesias, afinal temos dois poetas, um negro e um zen que dominou toda a arte minimalista dos haicais.
Já as biografias de Jesus e Trótski trazem líderes que movimentaram todo um ideal e viveram de formas particularmente impressionantes.
Gostei muito do livro inteiro, mas ele não é para ser lido de um só fôlego, acredito que estudantes de letras e fãs do autor devem ler. É um livro que apesar de se tratar de uma biografia, não é de todo uma biografia, foca na personalidade das pessoas biografadas e não em suas vidas propriamente ditas. Até nas biografias P. Leminski deu uma grande inovada. Na minha concepção as melhores biografias foram as de Cruz e Sousa e Bashô.
Desse modo, ficam aqui minhas recomendações de leitura, Vida é uma excelente obra, mas não espere encontrar poesias Leminskianas, este livro é mais apropriado para uma leitura teórica e paulatina, sem pressa para acabar. A admiração por um escritor ou pelos escritores biografados deve ser suficiente para fazê-los ler Vida. Boa Leitura!

Camila Márcia

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                  Quando a Companhia das Letras lançou Toda poesia, em fevereiro de 2013, alguns dos livros ali reunidos - como Caprichos e relaxos e Distraídos venceremos- estavam fora de catálogo e vinham sendo procurados pelo amplo público leitor de Paulo Leminski há mais de dez anos. Entre diversos fatores que vão da genialidade inovadora de sua obra à simpatia em torno de sua figura, essa lacuna foi determinante para que o volume assumisse rapidamente uma posição de destaque em todas as listas de mais vendidos do país, feito inédito para um livro de poesia.
Fenômeno semelhante ocorre com as quatro biografias que Leminski escreveu para a Coleção Encanto Radical ao longo da década de 1980; livros como Bashô - a lágrima do peixe são hoje raridades nos sebos, e agora voltam ao mercado com a reedição de um volume único, publicado pela primeira vez em 1990 pela Editora Sulina, conforme desejo expresso pelo próprio autor: “Com os três livros que publiquei, Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e o que agora estou escrevendo sobre Trótski, quero fazer um ciclo de biografias que, um dia, pretendo publicar num só volume, chamado Vida.”
Sob o olhar poético e apaixonado de um mesmo admirador, essas quatro trajetórias aparentemente desconexas ganham novas dimensões, criam elos e se complementam, em comunicação permanente com a vida e a obra de seu biógrafo. Trótski é visto como um homem de letras, autor do “mais extraordinário livro sobre literatura” já escrito por um político. Cruz e Sousa é personagem central de um movimento que Leminski chama de “underground” e que muito o influenciaria: o simbolismo. Bashô, antes de se tornar pai do haikai, foi membro da classe samurai. E Jesus é um “superpoeta”.
Enquanto traz à tona lados surpreendentes de quatro de seus heróis, Leminski revela muito de si mesmo, tão múltiplo e fascinante quanto os biografados, e fornece a seus fãs, em narrativas aliciantes e cheias de estilo, uma gênese de suas principais influências.

“Por incrível que pareça, havia um pouco de Cruz e Sousa, Bashô, Jesus Cristo e Trótski em Leminski. E dele neles.” - Ruy Castro

“A opção visceral de Leminski seria justificada quando publica, nos anos 1980, quatro biografias como forma de ‘pedir providências’ e apontar como a vida poderia/deveria se manifestar através de uma radicalização política da arte como experiência.” - Manoel Ricardo de Lima, O Globo

“Evoé Leminski!” - Haroldo De Campos
“Tarefa duríssima, ninguém duvida, responder quantos Leminskis cabem num só Leminski.” - Wilson Bueno

“Não fazia média com ninguém, nem com ele mesmo. ‘Na vida ninguém paga meia’; na poesia também não. Leminski pagou e recebeu inteira. A multiplicidade de tarefas, de línguas, de gêneros, de veículos em que ele circulava deixa, paradoxalmente, a lembrança de uma inteireza: a integridade de uma vocação de poeta que ele, obstinadamente, cumpriu.” - Leyla Perrone-Moisés

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Meu primeiro contato com Paulo Leminski e com biografias foi através de Vida. Os dois me surpreenderam e fiquei desejoso de ter mais do mesmo. As 4 biografias (Cruz e Souza, Bashô, Jesus e Trotski) são de capítulos curtos e que abordam uma única faceta da personalidade ou obra do biografado.


Comecei por Jesus porque estudei a Bíblia por anos, logo seria o personagem de mais empatia. As biografias são na verdade uma espécie de ensaio, e Paulo Leminski tem total liberdade para caçoar e fazer as mais impossíveis analogias, o que dá brilho e singularidade perante a outras biografias. É como se fôssemos os interlocutores, e ouvíssemos um delicioso relato sobre as quatro personalidades. O que não abre mão da linguagem técnica de cada assunto (literário, religioso e histórico, respectivamente) como também da imensa concisão de informações presentes em cada parágrafo.

O olhar sobre a vida de Jesus não é o que a grande maioria tem por ele. Aqui, Leminski nos mostra um Jesus mais humano, a personalidade que lançou margem para uma das maiores mudanças dos milênios que o sucederam. Há um capítulo que achei fenomenal que é sobre a relação de Jesus para com as mulheres, um Leminski feminista apóia muitas causas em voga e não deixa pedra sobre pedra daquelas que usariam para apedrejar a adúltera.

Após a excursão inusitada de um novo olhar sobre Jesus, embarquei na Rússia de Trótski. O que me soou mais interessante dentre a enxurrada de descobertas, foi a história da Rússia desde os seus primórdios, e a comparação desta com a história dos Irmãos Karamazov. Nessa parte também consta a formação intelectual dos outros dois grandes nomes da Revolução Russa e descendente, Lênin e Stálin; o encontro de Lênin e Trotski e suas divergências.

Em Cruz e Souza (a mais charmosa das quatro) fiquei cabisbaixo por ser uma biografia de cerca de apenas 70 páginas. Já no início temos um capítulo chamado Cruz e Souza e o Blues, o que já me deixou fervilhando de entusiasmo. Além da vida icônica que foi essa anormalidade social em Cruz e Souza, há espécies de análises dos poemas, e depoimentos de autores famosos a respeito de Cruz e Souza. Há um trocadilho genial apresentado sobre os pais do autor preto, já que ambos possuem o mesmo nome. Essa primeira biografia é toda fúnebre, já que a vida do poeta foi um constante embate contra o ódio (me recuso a usar o termo preconceito). Há pequenos relatos da doença mental da esposa de Cruz, e o poema que aparece com mais freqüência na biografia é o que retrata da loucura.

Por último, deixei Bashô, cujo nome me era totalmente desconhecido. Foi a biografia mais complicada das quatro, tudo era muito novo, diferente e inusitado. Eu não sei quase nada sobre a cultura oriental, e li muito vagarosamente, e a releitura de vários parágrafos tornou-se constante. Desse modo não me arriscarei a dizer algo sobre o “poeta” japonês mais famoso. Mas ele é uma figura tão importante pra Leminski que é citado nas outras biografias, e quando se procura por haikai (a modalidade de escrita japonesa que se assemelha a um dístico pelo pequeno tamanho) no Google, aparece Leminski como indicação de pesquisa.

Se há algum interesse em alguma das 4 personalidades, há a indicação da leitura pela rica variedade de informação contida no pequeno mas denso livro. Se você não se interessa, ainda a indicação pela amável companhia de Leminski, que espero ler mais em breve.

                                                                                                      Alister Vieira
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